Integração cultural nas fusões e aquisições: o fator que os modelos financeiros não medem e que determina o resultado
A due diligence financeira não é suficiente para garantir o sucesso nas fusões e aquisições. Avaliar a compatibilidade cultural e gerir os talentos com uma liderança de transição durante os primeiros 100 dias é fundamental para preservar o valor.
Nos processos de fusões e aquisições (M&A), a due diligence financeira constitui uma etapa incontornável, rigorosa e absolutamente necessária para avaliar a viabilidade da operação. No entanto, se observarmos o mercado, verificar-se-á que muitas fusões que prometiam grandes sinergias acabam por fracassar na realidade operacional. A resposta a este paradoxo encontra-se, geralmente, no aspeto mais crítico e menos quantificável de qualquer empresa: a cultura organizacional.
Na EPUNTO Interim Management, constatamos diariamente como as operações ficam estagnadas, não por falta de capital, mas devido a atritos na gestão de pessoas. Tal como analisa Rafael Bustamante Schneider, sócio da EPUNTO, «hoje em dia é muito importante reconsiderar a integração e a gestão da mudança nas organizações, sobretudo quando os fundos de capital privado e outros fundos adquirem várias empresas com o objetivo de as integrar».
«Muitas vezes, perde-se grande parte do valor e do tempo apenas na procura de dados e resultados financeiros, quando o grande potencial reside, na verdade, em todas as restantes unidades que compõem as empresas» — Rafael Bustamante Schneider
Precisamente nestes casos, o responsável financeiro é o profissional mais procurado: «O CFO é a peça fundamental», sublinha Rafael Bustamante. No entanto, no que diz respeito à cadeia de abastecimento, produção, fabrico e comercialização, «deve primar a otimização do talento propriamente relacionado com as pessoas; e devemos fazê-las trabalhar em conjunto com um objetivo comum». A este respeito, muitas vezes «perde-se grande parte do valor e do tempo apenas na procura de dados e resultados financeiros, quando, na realidade, o grande potencial reside frequentemente em todas as restantes unidades que compõem as empresas».
Como avaliar a compatibilidade antes do fecho da operação
A due diligence financeira é insuficiente se não for acompanhada por uma profunda due diligence cultural. Antes de assinar o acordo de conclusão da operação, é vital que a sua equipa preste atenção para além dos balanços.
Para tal, recomenda-se avaliar rigorosamente três aspetos-chave:
- Mapeamento do processo de tomada de decisões: Deve ser capaz de determinar se se depara com uma empresa hierárquica e burocrática ou com uma estrutura ágil e descentralizada. Os conflitos metodológicos neste ponto paralisam as operações de forma quase imediata.
- Identificação do talento oculto: Para além do organograma oficial que lhe for apresentado, deve descobrir quem são os líderes informais que realmente movimentam e inspiram as equipas.
- Estilos de comunicação: É muito importante avaliar corretamente se a empresa adquirida promove a transparência interna ou se, pelo contrário, os seus departamentos comunicam entre si de forma isolada.
Os primeiros 100 dias: o período crítico para não perder o talento
Durante os primeiros 100 dias após a aquisição, a incerteza torna-se o maior inimigo da retenção de talentos-chave. Para mitigar este risco, uma estratégia de integração adequada deve assentar numa comunicação transparente. Os profissionais precisam de saber qual é o seu lugar na nova estrutura o mais rapidamente possível, para se poderem voltar a concentrar na produtividade.
Liderança de transição
Da mesma forma, é fundamental garantir o alinhamento dos objetivos transversais. A criação de equipas mistas para projetos de execução rápida demonstra aos colaboradores que ambas as partes contribuem com valor para a nova entidade. Nesta fase, a liderança de transição assume uma relevância especial. Contar com figuras externas e independentes, como um gestor interino especialista na gestão da mudança, proporciona à empresa a objetividade necessária para alinhar os processos sem ser afetada pelos preconceitos ou pelas lealdades da cultura corporativa anterior.
Integrar não significa simplesmente avaliar e assimilar a empresa adquirida. Significa construir e consolidar uma nova cultura capaz de potenciar estrategicamente o melhor de ambas as partes.
Se se encontra imerso num processo de fusões e aquisições ou planeia estar-se a curto prazo, convidamo-lo a refletir sobre a importância que a sua organização está a atribuir à integração cultural.
Na EPUNTO Interim Management, estamos à sua inteira disposição para o acompanhar e garantir o sucesso neste desafio decisivo.