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Empresas familiares e tecnologias disruptivas: como abordar a discussão no conselho de administração

A inteligência artificial deixou de ser uma opção tecnológica e tornou-se um fator essencial para a sobrevivência dos negócios. O conselho de administração deve liderar sua adoção estratégica, contando com gestores interinos para garantir uma transição tranquila.

As reuniões de empresas familiares costumam abordar temas recorrentes: sucessão geracional, expansão para novos mercados ou resultados trimestrais. No entanto, a inteligência artificial e a automação de processos começaram a entrar na pauta nos últimos anos.

Esses conceitos deixaram de ser ficção científica ou temas exclusivos do departamento de TI. São fatores que determinarão se a empresa se manterá competitiva nos próximos cinco anos.

Entendendo a inteligência artificial sem jargões técnicos

A experiência da EPUNTO Interim Management no apoio a órgãos de administração demonstra que o desafio não é técnico, mas estratégico. O conselho de administração não precisa necessariamente saber programar um algoritmo, mas precisa compreender como essa tecnologia pode transformar o seu setor antes que um concorrente externo o faça.

Como a tecnologia deixou de ser uma despesa para se tornar uma garantia de sobrevivência?

É comum que a prudência seja altamente valorizada em empresas familiares. De fato, essa cautela ajudou muitas empresas a superar crises, mas com a IA, o ritmo é diferente. A disrupção não avisa. Hoje, ferramentas como agentes de inteligência artificial ou a automação de certos processos podem permitir que uma pequena empresa tenha um desempenho quase como uma multinacional, reduzindo drasticamente custos e tempos de resposta.

O risco para uma empresa familiar não reside apenas na complexidade da tecnologia, mas também na possibilidade de ela se tornar obsoleta enquanto se decide se é o momento certo para investir nela. É por isso que o conselho deve conduzir essa discussão com a mente aberta: a tecnologia não deve substituir o legado familiar, mas sim fornecer as ferramentas necessárias para que esse legado continue.

O papel do Conselho: fazer as perguntas certas

O papel dos gestores é olhar além do dia a dia e antecipar as necessidades futuras. Em vez de discutir qual software comprar, o debate deveria se concentrar em como a digitalização afeta a proposta de valor da empresa.

Para abordar adequadamente essa discussão na próxima reunião do conselho, aqui estão algumas das principais questões que devem ser levantadas:

1. Nossos dados estão prontos para serem usados?

A inteligência artificial prospera com informações. Se os dados de uma empresa estiverem dispersos, mal organizados ou incompletos, qualquer investimento em tecnologia será ineficiente. Sabemos quais informações temos e como aproveitá-las?

2. Que tarefas de baixo valor podemos delegar a agentes de IA?

Não estamos mais falando de simples respostas automatizadas. Agentes de IA podem gerenciar pedidos, lidar com incidentes ou analisar riscos de forma autônoma. Em quais áreas estamos desperdiçando o tempo de nossos funcionários em tarefas que uma máquina poderia executar melhor?

3. Como vamos apoiar nossa equipe durante essa mudança?

Em uma empresa familiar, a equipe muitas vezes faz parte da "família estendida". É fundamental discutir como os funcionários serão treinados para usar a IA a seu favor, eliminando o medo de serem substituídos e maximizando seu talento.

Agentes de IA: além das respostas automatizadas

Um dos conceitos que mais está transformando o cenário é o de agentes de IA. Diferentemente de um programa tradicional que apenas segue instruções fixas, um agente possui certa capacidade de tomar decisões e executar tarefas completas.

Para um conselho administrativo, isso significa que a estrutura operacional da empresa pode se tornar muito mais ágil. Imagine um sistema que não apenas avisa quando o estoque está baixo, mas também negocia com três fornecedores, escolhe a melhor oferta com base no histórico de qualidade e prepara o pedido para aprovação. Isso não é o futuro; já é realidade. Empresas familiares que adotarem essas soluções alcançarão um nível de eficiência antes inatingível apenas por gigantes da tecnologia.

O gestor interino como aliado na transição

Às vezes, os membros do conselho sabem que precisam dar o passo decisivo, mas não querem sobrecarregar a estrutura interna ou têm medo de fazer a escolha tecnológica errada. É aí que o papel de um gestor interino agrega valor real.

O objetivo é trazer um executivo experiente que se junte à organização com um objetivo claro: implementar a estratégia tecnológica definida pelo conselho. Não se trata de um consultor que entrega um relatório e vai embora; é um profissional que arregaça as mangas, compreende a cultura da empresa e garante que a transição digital seja organizada, rentável e sem perder a essência do negócio. Sua perspectiva externa, portanto, ajuda a superar a resistência interna e a trazer objetividade a decisões que, por vezes, são excessivamente emocionais.

A hora de falar é agora.

A tecnologia disruptiva não precisa ser uma ameaça. Se abordada pelo conselho de administração com curiosidade e visão estratégica, ela se torna a melhor aliada para a continuidade intergeracional.

Rafael Bustamante Schneider
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