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A diversidade nos conselhos: uma obrigação que vai além da ética

A diversidade nos Conselhos de Administração deixou de ser uma mera quota ética para se tornar uma estratégia de sobrevivência, evitando preconceitos cognitivos e melhorando a gestão de crises face a cenários complexos.

Há já vários anos que é comum referir-se à diversidade nos Conselhos de Administração como uma questão de responsabilidade social ou de cumprimento de quotas. No entanto, a realidade do mercado, marcada por uma exigência regulamentar crescente, pela pressão dos investidores institucionais e pela sofisticação dos riscos, reflete algo muito diferente que, muitas vezes, é ignorado: A diversidade é, acima de tudo, uma decisão estratégica ligada à rentabilidade e à própria sobrevivência da empresa.

A boa governação empresarial evoluiu de uma visão formalista para uma abordagem centrada na eficácia real do órgão de administração. Hoje em dia, não basta «cumprir». É necessário tomar as melhores decisões.

O que implica uma diversidade multidimensional nos Conselhos de Administração?

Para o conseguir, o conselho necessita de uma visão periférica. E esta amplitude de perspetiva é impossível se todas as pessoas à mesa partilharem o mesmo percurso. Já não falamos apenas de género, mas de uma diversidade multidimensional que inclua experiência profissional, conhecimento setorial, idade, contexto internacional, competências tecnológicas e independência de critério. Pelo contrário, um conselho homogéneo aumenta o risco de preconceitos cognitivos e pode ver comprometida a sua capacidade jurídica de proteger o interesse social.

Por que razão a diversidade é hoje uma prioridade empresarial?

Os potenciais fatores de risco empresarial ampliaram-se radicalmente (tecnológicos, de reputação, regulamentares, climáticos). Neste contexto, a diversidade passa de um valor abstrato para uma ferramenta concreta de proteção.

Tal como confirmam diversos estudos, entre os quais os realizados pela Grant Thornton ou pela McKinsey & Company, os conselhos de administração diversificados gerem melhor as crises, pois evitam as dinâmicas de pensamento único (o que é frequentemente designado por «groupthink»). Estes conselhos são capazes de detetar mais cedo os riscos emergentes, questionam com maior profundidade as decisões estratégicas e melhoram a qualidade do controlo interno, o que se traduz em organizações muito mais resilientes.

O valor estratégico do talento feminino

No âmbito desta pluralidade, a dimensão de género adquiriu uma relevância singular. As recentes iniciativas regulatórias europeias evidenciam uma mudança de paradigma: a presença equilibrada de mulheres deixa de ser uma recomendação para se tornar, progressivamente, uma obrigação jurídica e passível de supervisão.

Mas, para além do cumprimento da lei, existe outro argumento de fundo: o económico. As mulheres contribuem com perspetivas críticas e estilos de liderança que enriquecem o debate. Prescindir deste talento não é neutro, mas representa já uma perda direta de competitividade e de capacidade de inovação.

Refletir a realidade do mercado

As empresas operam num mundo diversificado e, por isso, não faz sentido que o órgão responsável pelas decisões mais importantes seja alheio a essa pluralidade. Um conselho capaz de integrar diferentes visões pode tomar decisões (tendo em mente a totalidade da população) mais equilibradas, mais ligadas à realidade e, em última análise, mais acertadas.

«O verdadeiro desafio não consiste apenas em incorporar perfis diversos, mas sim em garantir que essa diversidade seja efetiva» — Begoña Hernández, sócia da EPUNTO Interim Management

No entanto, o verdadeiro desafio não consiste apenas em incorporar perfis diversos, mas sim em garantir que essa diversidade seja efetiva. Promover uma cultura de debate genuíno, assegurar a participação ativa e evitar concentrações excessivas de perfis semelhantes é fundamental para que a diversidade não se torne um mero exercício cosmético.

Na EPUNTO Interim Management, estamos plenamente conscientes de como a entrada de talento diversificado nos órgãos de gestão e nas equipas de direção traz objetividade, acelera a execução estratégica e facilita os processos de mudança organizacional.

A diversidade nos conselhos de administração já não pode ser abordada como um compromisso voluntário. As empresas que compreenderem esta realidade estarão mais bem preparadas para competir num ambiente complexo; as que não o fizerem, assumirão um risco difícil de justificar.

Porque hoje, mais do que nunca, a diversidade não é apenas uma questão de valores. É uma questão de boa governação.

Begoña Hernández
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